Vocês comem violência no almoço

Hoje eu saí de casa para procurar um restaurante à quilo para almoçar e dei de cara com um homem transtornado apontando uma arma para um senhor. No pescoço do homem um distintivo da Polícia Civil. Um carro atravessado na avenida, ocupando duas faixas. Uma multidão ao redor filmando, comentando, apontando o dedo.

Ontem uma amiga mandou mensagem que estava no hospital veterinário quando chegou uma família humilde com um cão baleado. Um PM atirou no cachorro durante uma “abordagem padrão” aos donos do animal.

Quase dois anos atrás, estava fazendo almoço em um domingo de manhã. Tiros. Um policial Matou uma pessoa que suspostamente tentou roubar seu carro. O bairro falou sobre isso por semanas, mas eu nunca consegui saber se houve investigações sobre o caso. Ninguém se importa.

Tropa de elite não fez sucesso enquanto crítica social. Ele fez sucesso enquanto sangue derramado; tiro, porrada e bomba. O sucesso dele foi satisfazer o sadismo dessa sociedade de bandido bom é bandido morto, que nunca viu sangue de verdade em sua frente, mas tem orgasmos com o sangue do outro.

Todos os dias alguém está dando audiência, dinheiro e votos para Dateninhas na televisão. Fazendo de assassinos, heróis. Compartilhando vídeos de massacres. Dando clique de publicidade para a violência do Estado. Quanto sangue está nas nossas mãos? Nos nossos olhos? No nosso clique? No seu Whatsapp?

De quem é esse sangue? Quais os sonhos dessas pessoas? Quem ela deixa? O que ela poderia ser?

Que Estado assassino é esse em que vivemos?

O Brasil está em guerra. Uma bala pode encontrar você enquanto compartilha que bandido bom é bandido morto.

 


Outras reflexões sobre esse assunto:

  • Black Mirror (série) | Disponível no Netflix: Episódio White Bear (Urso Branco) – 2° temporada;
  • Podcast Intuições Promissoras com Monique Evelle | Disponível no Spotify: Episódio #07 – caso de Ágatha Felix, Greve Geral pelo Clima, Marcas e Empresas diversas.

andar na rua à noite, tomar uma cerveja no bar.

Começo a escrever no celular, sentada na janela envidraçada da Casa Matilde, em São Paulo/SP. Cheguei cedo, logo depois de almoçar em self service mais ou menos, meio escondido, em um salão lindo de um prédio antigo perto do Banespão.

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Vista real do momento

Uma das grandes vantagens e ansiedades do meu trabalho atual: eu nunca sei bem onde eu vou passar a semana seguinte, qual canto de SP eu vou descobrir. Isso tem resignificado minha relação com a cidade e me obriga a lidar com o fato de não ter o controle de tudo.

Em alguns dias é possível me encontrar com cara de besta olhando para cima no meio do centro histórico de São Paulo e, normalmente, a minha cabeça está tentando imaginar como eram aqueles prédios quando eles serviam ao seu propósito inicial: quais eram as cores, quem morava ali, quais histórias eles abrigavam.

Também sou aquela pessoa aleatória que entra nas galerias, olha o que tem dentro e sai, pela simples expressão da curiosidade.

Já encontrei uma loja que vende apenas canetas e outra especializada em arco e flecha. Também vejo aglomerados de turistas perdidos caminhando lado a lado à estátuas vivas, ainda terminando a maquiagem prateada. Ou ainda um grupo que organiza cinema ao ar livre para moradores de rua.

Em toda cidade vejo o abandono, as pessoas apressadas, os turistas perdidos, os artistas de rua. Vejo as pessoas e nossa relação única com esse lugar que nem sempre nos cabe. A gente precisa entender esse relacionamento, poucos conhecem efetivamente suas cidades.

A rotina nos espreme em caixinhas e todo o resto vira paisagem.

A maioria das pessoas não liga para a diferença de um shopping e uma calçada. E quando vê, opta pela segurança e conforto mais artificial possível. Tá tudo bem ir para o shopping. Eu só acredito que essa não deveria ser a nossa única opção higienista.

A gente paga uma fortuna para ir na Europa – eu nunca fui, inclusive – para ver prédios velhos e tirar foto no museu da Beyoncé e do marido dela, mas a gente não conhece o centro histórico de nossas cidades, não sentamos na janela de um café para imaginar o que acontecia nos nossos prédios velhos.

Falta conservação do patrimônio público, falta segurança, falta valorização da nossa história, faltam pessoas olhando para nossa cidade. E isso nunca vai mudar se a gente continuar achando que o prédio velhor do vizinho é mais legal que o nosso.

 

* O título desse post vem da música “Carnaval”, banda Ventre.


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Ler fora da caixa

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Imagem: Pixabay

Vocês julgam o que as pessoas estão lendo no transporte público?

Eu julgo. E ainda fico fazendo malabarismo para olhar a capa do livro.

Outro dia, um rapaz, um metrô, virou o exemplar para eu ver o título – talvez eu não tenha conseguido disfarçar a curiosidade. Aliás, eis o grande problema do Kindle: não consigo saber o que a outra pessoa está lendo.

Ultimamente, tenho lido muito no transporte público. Foram meses de treino para alcançar 1/5 da técnica paulista de leitura em movimento. Eles leem até subindo a escada rolante e eu não consigo passar nem um dia sem atropelar pessoas com minha mochila de carrinho.

Com meu recente envolvimento com clubes de leitura, tenho prestado ainda mais atenção no que as pessoas lêem. Quantos livros estrangeiros eu vejo ao longo do dia. Quantos livros nacionais. Quantas coisas escritas por homens ou por mulheres. Literatura negra, Periférica, LGBTQ+…

A conclusão é que a gente não têm lido coisas tão diversas assim.

Acredito que em todas as nossas escolhas é necessário um movimento consciente no sentido de olhar fora da nossa órbita. Imagino toda decisão como um grande algoritmo do Facebook, a gente precisa empenhar energia para furar a bolha.

Não estou sugerindo que exista qualquer hierarquia entre livros, filmes, mas quando nosso consumo de cultura não é consciente, passamos a vida assistindo a mesma realidade branca, heteronormativa e eurocentrada – as quais tem dinheiro e acesso a mídia tradicional e conseguem chegar até nossa lista de desejos.

Enquanto isso, existem muitas pessoas fora desses padrões contando histórias incríveis que fazem nossa visão de mundo maior e mais empática. Essa pessoas talvez nunca cheguem até a prateleira de uma grande livraria tradicional.

Uma grande vitória, na minha meta pessoal de formação de leitores, foi fazer do meu irmão (aos 13 anos) um leitor voraz. Isso aconteceu com muita energia, e dinheiro, investidos em mangás, livros do Harry Potter e séries americanas. Vejo como um primeiro e importante passo, a Fase2 é ajuda-lo a encontrar livros que mostrem outras realidades.

Eu também acredito na necessidade de cobrar políticas públicas de apoio a cultura e incentivo a leitura; visitar bibliotecas e cobrar qualidade em seus acervos; doar bons livros, quando possível; questionar a escolha de grandes editoras; problematizar histórias publicadas em grandes meios; e buscar ativamente por outros olhares.

Sempre falamos que “o brasileiro não lê”, sobre “a crise do mercado livreiro“, ou “a escola só me obrigou a ler homens mortos”; mas também existe o nosso papel de buscar leituras fora dos mercados tradiconais e formar novos leitores.

Não é fácil e, como eu disse, demanda energia. A ideia é que isso seja uma rotina e não é excessão: Procure por autoras mulheres nascidas na sua região. Escritoras mulheres tem menos acesso a publicações tradicionais e despertam menos interesse no mercado consumidor.

Frequente eventos literários, sempre tem autores independentes dispostos a mostrar seu trabalho. Olhar a programação da Secretaria de Cultura do município e do Estado é um bom começo. Se possível, invista nesses autores: Compre direto do escritor; fale sobre livros e cultura em suas redes sociais, ajude boas histórias a circularem.

É mais difícil? Sim. É possível? Com certeza.

 


Lista de mulheres escritoras nordestinas (que também é um lembrete para mim):

  • Adrienne Myrtes
  • Carla Akotirene
  • Jarid Arraes
  • Lenita Estrela de Sá
  • Maria Firmina dos Reis
  • Rachel de Queiroz
  • Rita Queiroz
  • Socorro Acioli
  • Tércia Montenegro

Outras reflexões sobre esse assunto:

Equilibrar pratos e outras sutilezas do dia a dia

Fazem semanas que eu tento escrever. Semanas que viraram meses e criaram uma ruma de rascunhos sobre os mais variados temas incompletos.

Dentre tantas razões para esse deserto criativo, a principal é que eu não consigo escrever com alguma qualidade quando eu não posso dedicar espaço na minha cabeça para organizar o que eu preciso dizer. E, por enquanto, escrita não paga minhas contas.

É uma questão de equilibrar os pratos, quando você é bastante desastrado. E alguns desses pratos, definitivamente, não podem quebrar.

Esse ano eu voltei para o mercado de trabalho e além das nove horas de escritório, comecei a deixar outras quatro horas da minha vida, todos os dias, em um ônibus, no trânsito caótico de SP.

Façam as contas: Quando dá, eu tento lavar os pratos.

Há algum tempo li uma reportagem sobre o quão desgastante é o trajeto das pessoas até o trabalho e o quanto isso corrói a possibilidade de ter outras atividades, estudo ou projetos.

Eu tenho buscado formas de aumentar o quanto for possível minha qualidade de vida, entender quais são as minhas prioridades, cuidar da saúde mental. E acredite, por mais que as pessoas tentem terceirizar essa tarefa, isso é mais sobre o seu esforço do que sobre a empresa, sobre a cidade ou sobre outras coisas (salvo excessões, tenham bom senso).

Inclusive, FAÇAM TERAPIA! Façam alguma atividade física. Comam bem. Beba água. Nunca pare de estudar.

A maior parte do nosso tempo é trabalho, deslocamento do/para o trabalho e se preparar para o trabalho. Tem sido uma tarefa hercúlea ter uma vida além disso, eu sei que muita gente não consegue ou nem tentam e, claro, muitas não tem a menor condição social de sair desse ciclo.

É um privilégio gigante conseguir escolher o trabalho que seja seu propósito, se é que isso existe, mas a forma como você equilibra sua vida precisa ser uma escolha consciente. Por você e pelas pessoas ao seu redor.

Eu escolhi não ser aquela imagem tóxica da pessoa que chega em casa exausto, briga com a família, senta no sofá para assistir qualquer lixo na televisão e não levanta nem para pegar a própria cerveja. Eu tenho a impressão que isso vai corroendo o cérebro ao longo dos anos.

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Ainda não consigo equilibrar todos os pratos e não tenho previsão para um dia conseguir, mas eu sei que preciso ser um indivíduo além do funcionário de uma empresa. Tá tudo bem você se dedicar muito ao trabalho, mas a grande pergunta é: quem é você além do que diz no seu crachá?

 


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Outras reflexões sobre esses assuntos:

A maior São Paulo da América latina

Fazem oito meses que chegamos à São Paulo e eu acredito que posso morar oito anos aqui e continuarei achando que acabei de chegar. São muitas impressões, muitas novidades, muitas coisas autoproclamadas maiores da América latina. Sampa consegue ser gigante em tantos sentidos que provavelmente sua dimensão geográfica é a menor de todas.

Pra começar, tudo chega aqui primeiro, de app delivery a exposições de arte. Sua posição como centro econômico do país é muito clara e as pessoas estão sempre abertas à serviços, produtos e experiências novas. Isso reflete muito no acesso à cultura e melhores oportunidades de trabalho em muitas áreas do conhecimento. Para mim, é uma experiência única de enriquecimento cultural e até redescoberta da minha escrita.

Apesar de parecer óbvio, para mim, as pessoas não tem noção do abismo entre essa cidade e o resto do país. Eu penso muito em como podemos, enquanto sociedade, replicar esse ambiente criativo Brasil a fora. Brasil esse que o paulistano médio não conhece, nem na gramática, nem na prática.

Um exemplo gritante dessa diferença é segurança pública. Eu me sinto muito mais segura voltando para casa, sozinha, a pé, do cinema, às 23 horas; do que em qualquer outro momento da minha vida em Aracaju ou Salvador. A gente usa o GPS do celular na rua (eu vivo perdida por aqui) e tá tudo bem. Eu escuto música no ônibus e o BRT tem tomada para carregar o celular. Segundo um amigo nosso, o carregador de celular em Aracaju é outro.

Aqui o termo workaholic também foi totalmente ressignificado. As pessoas trabalham muito e em uma rotina frenética. Não que no Nordeste a gente tenha uma rotina preguiçosa, mas a forma que nos organizamos é diferente, a qualidade de vida sem dúvidas é prioridade, nossa relação com o trabalho me parece mais equilibrada.

A rotina paulista reflete muito na alimentação. Você consegue achar de tudo enlatado e mega processado aqui, um corredor inteiro de sucos em caixas, outro de molhos e temperos prontos. Verduras e legumes já cortados em potes plásticos. Aliás, as frutas aqui são diferentes e bem mais caras do que estavamos acostumados.

Por outro lado, a gente encontra restaurantes do mundo todo, com uma qualidade absurda. E a Pizza? E o Pastel? Ainda não comi nenhum que seja menos que muito bom.

Outro clichê paulista: que frio da peste! Nesses meses só sentir calor em dois dias, um calor abafado, real, de sol forte. Todo o resto é suportável, até agradável. E, se for possível dizer isso, a poluição aqui é tanta que a textura do ar parece ser diferente; a nuvem de fumaça e cinzas é real.

Por falar em calor, eu sinto muita falta da praia. Tragam uma praia para São Paulo!! Eu sei que tem praia em Santos, etc, mas a gente ia para a praia, no mínimo, duas vezes por mês e gastava quinze minutos para chegar; qualquer lugar que tu vai em Salvador, acaba vendo o mar. Uma hora e meia de trânsito + pedágio significa uma praia muito, muito distante.

Tudo é longe, apesar de não achar que o problema seja a distância em quilômetros, mas o trajeto. São Paulo tem muita gente, muito carro, muito sinal, muito viaduto, muito concreto… atravessar isso tudo dá bastante trabalho. Isso não só faz valer o título de maior engarrafamento da América Latina, como deixa a cidade bem adversa.

São Paulo também é hostil com os diálogos, com os reforços de estereótipos. No geral, o paulista não abre mão de suas ideias em prol do outro, é complicado chegar a uma conversa real ou até mesmo concluir uma frase sem ser interrompido durante um bate papo qualquer. E mesmo acolhendo gente do mundo todo, ainda não consigo me sentir fazendo parte desse lugar.

O Rogers Waters, em entrevista para o Caetano Veloso, disse sobre São Paulo, que é chocante ver as pessoas morando na rua, em buracos. E isso é, de longe, a coisa mais triste: a população de rua é enorme e forma uma SP invísivel às pessoas e ao poder público. Isso também chega ao patrimônio, de um lado temos muitos prédios novos e modernos; do outro, um centro histórico decadente.

Acredito que todas das vezes que chegamos ao fato de “sou do nordeste”, a pergunta seguinte foi “tá achando o que de SP?”. Talvez eu tenha já tenha respondido mas, provavelmente, essa resposta mude nos próximos dias. São Paulo, além dos contrastes, é uma cidade em constante mudança.

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Imagem: Pixabay

Dê livros de presente e frequente bibliotecas.

Eu não sei se você, que acabou de chegar nesse blog, ficou sabendo de uma suposta crise do mercado editorial. Eu digo suposta porque eu li muito sobre o assunto – tanto como profissional, quanto como leitora – e todas as narrativas me apontaram para causas diversas, desde “o brasileiro não lê” até a crise econômica do Brasil, mas nenhuma conclusão eficiente.

Eu concordo com alguns aspectos, com várias pessoas, mas não consegui chegar a uma decisão definitiva e própria. Em resumo, duas grandes redes de livrarias brasileira abriram recuperação judicial, as dívidas são enormes, as editoras estão com a corda no pescoço e ninguém parece saber de quem é a culpa.

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Vou deixar alguns links no final desse post que falam com mais propriedade do que eu poderia discorrer. Acrescento, a esses textos, que o livro é um produto, mas o brasileiro não está disposto a pagar por ele e as editoras não conseguem lidar com isso de forma mercadológica. Eles ganharam muito dinheiro com um sistema de gestão medíocre, não acompanharam as mudanças e, a beira da falência, declaram amores aos livros (eu vejo amor ao próprio bolso).

Também precisamos lembrar que estamos em uma crise econômica e que entre comprar um item de necessidade básica e um livro, o último nunca será prioridade e, nesse aspecto, um combustível da crise do mercado livreiro é o nosso cenário político: Não existe um programa nacional de educação e formação de leitores, não existe políticas públicas consolidadas e efetivas.

Quantas pessoas você conhecem que dizem que ou “odeio ler”; ou “odeio estudar”? Aparentemente será sempre um grande nós por nós e o Estado contra todos.

É nesse cenário caótico que começaram uma campanha com o mote de “dê livros de presente” – inclusive compartilhei algo sobre isso em algumas redes. Podemos refletir mais sobre esse movimento e, provavelmente, chegar a conclusão que dar livros de presente é mais um grande tapar o sol com a peneira.

Faz sentido se a gente considerar trocar a blusinha do presente do amigo secreto por um livro, mas não faz nenhum sentido se contuarmos comprando livros de editoras gigantes, sem apoiar o escritor independente e a pequena editora. E, menos ainda, se esses livros de Natal só servirem para peso de papel e poeira em um prateleira de alguém que nunca vai ler.

Comprar livros agora vai dar um help em um setor econômico quase falido, mas não faz com que as pessoas leiam ou queiram continuar comprando. Vamos viver um looping eterno de comprar livros, reclamar do preço do livro, piratear livros, não lê livros, comprar livros…

A leitura têm sido minha companhia, hobbie e fonte de aprendizado há muito tempo e esse hábito começou em casa e, principalmente, na biblioteca da minha escola. Nossa relação mudou muito ao longo da minha vida, de uma adolescente que pegava livros emprestados, porque não tinha grana para comprar; para uma acumuladora de livros nunca lidos; e, bem recente, incentivadora da leitura e circulação do livro.

Já escrevi sobre deixar nossos livros livres; sou curadora do Livros Resistem; frequento o máximo de bibliotecas que eu consigo, onde costumo doar os livros que não fazem mais sentido para mim e participar de oficinas; compartilho o que eu estou lendo nas redes sociais; prestigio eventos; e compro livros que eu acredito que possar incentivar meu irmão a ler.

O negócio do livro é muito maior do que a compra. Apesar de ser essa relação de consumo que financie todo o ciclo. Eu quero comprar livros, as pessoas precisam ter grana para livros, mas a gente também necessita que nossas bibliotecas sejam ocupadas, que os clubes de leitura cresçam, que as pessoas entedam o malefício da pirataria, que ler seja interessante para adolescentes, que o Estado ajude esse moinho a girar.

Comprar livros exclusivamente pelo apelo comercial incentiva um modelo de negócios insustentável e não ajuda com o real problema: Como, enquanto sociedade, podemos incentivar a discussão e o aprendizado a partir da leitura? Como cobrar do Estado incentivo a educação? Como podemos formar um mercado leitor ávido? Como tornar o livro tão atraente quanto o Netflix ou o Whatsapp?

Spoiler: Leitura é hábito, ninguém vai virar leitor e aprender a gostar de ler da noite pro dia. Livro é investimento à longo prazo e o caminho é longo. Vá a bibliotecas, cobre o Estado, leia para uma criança, comece a ler.

 


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